Agosto/2010
Para MTur, Copa 2014 será a "Copa da Família", com turismo rodoviário em 300 Km das cidades-sede
Pesquisa do Ministério do Turismo (MTur), produzida pela FGV, indica que os turistas que foram à África do Sul para a Copa do Mundo incluíram mais quatro cidades no roteiro, além das cidades-sede. Cerca 20% dos entrevistados usaram ônibus de fretamento em seus deslocamentos.
 
Estudo do MTur revela que o Brasil deve se preparar para receber os cerca de 500 mil turistas estrangeiros que virão ao País por ocasião da Copa de 2014.
 

O estudo do MTur revela que o Brasil deve se preparar para receber os cerca de 500 mil turistas estrangeiros que virão ao País por ocasião da Copa de 2014, o que deve produzir um impacto direto na atividade turística, na geração de empregos e movimentar milhões de reais na cadeia produtiva nacional. A análise ainda revela que 20% dos turistas utilizaram ônibus alugados para deslocamentos adicionais na Copa 2010.

Segundo Luiz Barretto, ministro do Turismo, “um megaevento como a esse abre uma oportunidade de promoção do País como destino turístico que muitos anos de campanhas publicitárias em todo o mundo não seriam capazes de oferecer. Devemos trabalhar, não apenas na divulgação das 12 cidades-sede, mas também de outros destinos no entorno”.

Por sua vez, o Comitê Executivo Paulista da Copa do Mundo, do governo estadual paulista, lançou recentemente um documento sobre “O potencial dos municípios de São Paulo para receber as delegações da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014”. Nele, foram avaliados o potencial das cidades paulistas, próximas às cidades-sede com infraestrutura para receber o turista que virá assistir aos jogos.

A maior parte das cidades estudadas fica a menos de 300 quilômetros da Capital, forte candidata a abrir o campeonato mundial: Águas de Lindoia (170); Águas de São Pedro (198); Araraquara (277); Barueri (29); Braganca Paulista (99); Campinas (99); Cesário Lange (143); Cotia (41); Cruzeiro (228); Guaratinguetá (186); Guarujá (88); Guarulhos (21); Itanhaém (110); Jaguariúna (138); Jundiaí (59); Lençóis Paulista (296); Limeira (152); Mairiporã (31); Mogi das Cruzes (48); Piracicaba (157); Pirajú (333); Porto Feliz (110); Ribeirão Preto (319); Santo André (30); Santos (72); São Bernardo do Campo (25); São Caetano do Sul (12); São Carlos (237); São José dos Campos (91); São Roque (69); Suzano (34) e Ubatuba (249).

Para Luciane Leite, presidente da TUR.SP, os preparativos de São Paulo para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 já estão a todo o vapor e o Grupo de Trabalho Paulista, responsável pela Copa no Estado, vem trabalhando no aprimoramento dos projetos de São Paulo para o evento. “Além do cumprimento das demandas oficiais da FIFA para as cidades-sede, o caderno de encargos, existem projetos em execução ou em planejamento para melhorias na infraestrutura, mobilidade, segurança, divulgação das cidades, promoção de eventos, acessibilidade, sustentabilidade e atendimento aos turistas.”

 
Logo da Copa do Mundo de 2014.

Doze cidades-sede fazem parte dos 65 destinos Indutores do Desenvolvimento Turístico Regional, do MTur em todo o País. O Estado de São Paulo já começou com seu planejamento regional.”Já iniciamos trabalhos em várias cidades-base do Estado, que também poderão receber delegações de outros países durante a Copa ou ainda aprender a lucrar de outras formas com o mundial de 2014”, diz a representante da TUR.SP. “Tudo isso com o objetivo de consolidar e promover São Paulo como destino de eventos internacionais, buscando nível de excelência na prestação de serviços ao turista e garantindo obras e ações que representem efetivo legado à população”, complementa.

De acordo com o Ministério do Turismo, o transporte rodoviário possui grande capilaridade no País, mesmo para cobrir distâncias acima de 1.000 km. “Dada a característica histórica do processo de formação da mobilidade do País, tem-se hoje uma boa malha rodoviária para cobrir as cidades-sede e destinos do entorno. Nos casos em que as distâncias que separam o viajante e a cidade a ser visitada são relativamente curtas, o acesso rodoviário reveste-se de caráter estratégico. Quando se trata de turismo regional, esse componente ganha ainda mais relevância para um destino turístico”, ensina o estudo encomendado à FGV.

Em negociações com a TUR.SP, a FRESP - Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo tem levado suas preocupações às autoridades no que se refere ao turismo rodoviário: “muitos municípios não têm locais adequados para embarques e desembarques nos pontos turísticos, a sinalização é precária, não possuem estacionamentos próprios para os ônibus de turismo e, acreditem, não planejam sequer a altura do portal para que os veículos mais altos adentrem na cidade. Outros como São Paulo, por exemplo, criam restrições tais, como horários de circulação e a instalação de equipamentos caríssimos, que simplesmente impossibilitam o acesso do turismo rodoviário eventual”, informa Regina Rocha, diretora executiva da entidade.

Luciane Leite, da TUR.SP, no entanto, não acredita que essas imposições possam interferir no transporte para a Copa de 2014. “Com certeza isso já estará ajustado até lá. Além disso, a equipe da TUR.SP faz parte, junto com a SPTuris e outras secretarias estaduais e municipais, do Grupo de Trabalho para a Copa do Mundo e estamos monitorando essa e outras questões fundamentais para a realização do evento”.

O Ministério do Turismo lembra ainda que os atrativos turísticos das cidades-sede têm papel importantíssimo e estratégico, porque têm poder de influenciar a permanência dos espectadores dos jogos, motivando-os a permanecer mais tempo na cidade. “Se a Copa da Alemanha foi considerada a Copa do Torcedor, pelo perfil individualizado e de curta duração das viagens geradas pelo evento, no Brasil, espera-se que a Copa de 2014 seja a Copa da Família, com viagens de maior duração e em grupos maiores (famílias e/ou amigos). Ou seja, os turistas estrangeiros, que virão ao Brasil para a Copa, estarão à procura de atrativos para compor sua programação de viagem. Estima-se o período médio de estadia entre 10 e 15 dias”, adverte a cartilha do MTur.


Jornalista responsável: Clarice Pereira (MTb 15778) - Obs: Já adotamos o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa.



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