Dezembro/2010
Empresários do transporte profissional de pessoas querem definições políticas para a Copa 2014
Profissionais do setor receiam adquirir equipamentos caros e ampliar a frota sem a garantia de retorno do investimento na Copa de 2014.
 
Imagem Divulgação
O País inteiro já se prepara para receber a Copa de Mundo.
 

O País inteiro já se prepara para receber a Copa do Mundo de 2014. Por ser uma das cidades-sede do mundial a cidade de São Paulo é um dos principais destinos turísticos do Brasil. Para o evento são aguardados pelo menos 500 mil visitantes. A realização de um mundial desse porte atrai a atenção de 240 países, 500 estações televisivas, além dos quase 30 bilhões de espectadores, ou seja, será uma grande vitrine para o Brasil e um fator expressivo na geração econômica do País.

De acordo com dados da São Paulo Turismo (SPTuris), pelo menos 11,3 milhões de turistas visitam a cidade anualmente. E não é para menos, São Paulo apresenta a melhor infraestrutura em aeroportos e em malha rodoviária, é referência em hospedagem, gastronomia e é muito ativa culturalmente.

Para os jogos da Copa, as expectativas são tão grandes, que os investimentos que já estão sendo realizados na cidade desde 2007. Tudo para atender a demanda turística com tranquilidade, planejamento adequado e segurança vai garantir maior credibilidade para receber os jogos mundiais.

De acordo com informações da São Paulo Visitors & Bureau, a cidade já tem a maior oferta hoteleira da América do Sul e conta com as principais redes de hotelarias nacionais e internacionais. São 410 hotéis e pelo menos 42 mil apartamentos disponíveis. Até 2014, essa oferta pode chegar a 50 mil quartos – número estimado pela FIFA para todo o território nacional.

A Prefeitura Municipal já anunciou que pretende investir quase R$ 34 bilhões em intervenções que promovam maior mobilidade urbana, mas São Paulo ainda tem grandes desafios a transpor até o início dos jogos. A área de transportes tem sido o “calcanhar de Aquiles” da cidade, uma das mais cotadas para a abertura da Copa.

Para a FRESP - Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo, a realização de um evento desse porte no Brasil é muito positiva porque gera mudanças de paradigma em relação a diversas áreas que estavam esquecidas há tempos. “As deficiências do transporte público e a insuficiência de vias, hoje sobrecarregadas de automóveis, são entraves que precisam ser resolvidos com urgência. O transporte turístico, por exemplo, precisa ser visto como um aliado da cidade para suprir as carências de mobilidade para os visitantes”, relembra.

 
O setor de transporte profissional de pessoas receia adquirir equipamentos caros e ampliar a frota sem a garantia de retorno do investimento na Copa de 2014.

A tendência aponta para o crescimento das oportunidades de ampliação dos serviços profissionais do transporte coletivo de pessoas. O setor de ônibus por fretamento, por exemplo, terá de aumentar sua frota atual de 4.500 veículos na cidade de São Paulo para atender a demanda gerada com a Copa do Mundo. Porém, os investimentos dependem de quão empenhados estão os dirigentes em promover melhorias ao serviço.“Ninguém vai ampliar a frota se não tiver condições de operar nos pontos turísticos”, afirma Regina Rocha, diretora executiva da FRESP.

Agora é o momento crucial para o poder público encarar os problemas de mobilidade na Capital. “Está na hora de repensar a operação do transporte profissional de pessoas por fretamento, especialmente o turístico, olhando-o mais como solução complementar para os deslocamentos na região metropolitana”, destaca Jorge Miguel dos Santos, diretor executivo do Transfretur – Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento e para Turismo de São Paulo e Região.

Jorge Miguel ainda ressalta que os empresários do segmento estão com receio de realizar novos investimentos, antes de obterem um parecer do poder público com políticas claras sobre as operações do setor durante o evento. “Essa questão tem afligido os profissionais, que ainda aguardam resoluções concretas para ampliar frotas, comprar novos equipamentos e investir em melhorias para que possam oferecer serviços turísticos com padrões internacionais de qualidade. É preciso encarar a modalidade do transporte coletivo privado como uma opção viável e garantir o espaço para sua atuação efetiva”, afirma o diretor do sindicato.

Ele lembra que os ônibus destinados ao turismo rodoviário já oferecem mais conforto e segurança que os veículos comuns. Entre os diferenciais estão maior espaço interno, ar condicionado, poltronas amplas e reclináveis entre outros atrativos. Durante a Copa, a presença de guias turísticos poderá oferecer ainda o apoio essencial, principalmente, nas questões relacionadas ao idioma.

A FRESP adverte que os investimentos serão elevados e a iniciativa privada somente os fará, se houver condições efetivas de operar com esses novos equipamentos. O empresariado alega que já existe, desde agora, demanda turística na cidade de São Paulo e não somente durante o curto espaço de tempo que ocorrerão os jogos. “Ampliar e renovar as frotas com padrão turístico requer um planejamento de médio e longo prazos. Se o poder público, e isso vale para todas esferas (federal, estadual e municipal), não atentar para isso agora não haverá tempo necessário ou interesse do setor para se preparar para os grandes eventos.” comenta Regina Rocha.


Jornalista responsável: Clarice Pereira (MTb 15778) - Obs: Já adotamos o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa.



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