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Março/2011
Uso de motos para ir ao trabalho é risco para as empresas

Muitos trabalhadores escolhem ir ao trabalho em motocicletas para ganhar agilidade e ficar longe dos problemas do transporte público. No entanto, o alto índice de acidentes tem gerado grandes despesas para as empresas, para o sistema de saúde e também para o próprio condutor que sofre com os traumas causados, muitas vezes irreversíveis.

Imagem divulgação
Cerca de 67% das vítimas de acidentes de trânsito são trabalhadores, que usam a moto como meio de transporte para o trabalho.
 

Não é de hoje que se discute o problema das motos no trânsito das grandes cidades. Só na Capital paulista, já são mais de 800 mil motos em circulação e pelo menos 4 milhões em todo o Estado, de acordo com dados do Departamento Nacional de Trânsito - Detran.

Afinal, quem não quer mais conforto e agilidade na ida ao trabalho? Apenas o fato de ficar livre do aperto diário enfrentado por quem usa o transporte público já é um ponto mais que positivo para se arriscar em cima de uma motocicleta. Com as facilidades dos financiamentos na hora da compra, a frota desses perigosos veículos de duas rodas tem aumentado consideravelmente, ano a ano, em todo o País.

No entanto, o cenário é alarmante e tem levado os especialistas a tratarem do problema como uma epidemia. De acordo com pesquisa realizada, em meados de 2010, pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, são mais de 20 pessoas mortas por dia no País em decorrência de acidentes com motocicletas.

A maioria dos que não chegam a óbito passa por um sofrimento sem igual com traumatismos gravíssimos, amputações e sequelas para o resto da vida. Para se ter uma ideia do aumento nos números nos últimos anos, em 1996 foram registrados 725 óbitos. Já em 2008, o número chegou a 8 mil óbitos. A situação se tornou tão complicada que o Conselho Nacional de Trânsito - Contran interveio na carga horária e no formato dos cursos para novos condutores em 2009.

Mas se engana quem pensa que a maioria dos acidentes ocorrem com os motoboys. O estudo realizado pelo HC mostrou que o perfil do acidentado mudou e pelo menos 67% das vítimas são trabalhadores, que usam a moto como meio de transporte para o trabalho.

A falta de investimentos de muitas empresas em seus colaboradores pode ser a resposta para grande parte desses índices. No Brasil, 2,5 mil empresas usam os serviços de transporte por fretamento para o deslocamento de seus funcionários. Outras optam pelo pagamento do vale transporte para a utilização do serviço público, o que gera custos elevados para a empresa e nenhum benefício ao trabalhador.

“Notamos que muitos profissionais utilizam o valor do vale transporte na compra ou financiamento de motos para evitar as longas esperas e ônibus lotados todos os dias na ida e na volta ao trabalho. Isso acabou se tornando uma alternativa viável para eles”, aponta a diretora executiva da FRESP - Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo, Regina Rocha.

 
Segundo o Detran, só na Capital paulista, já são mais de 800 mil motos em circulação e pelo menos 4 milhões em todo o Estado.de São Paulo.

Para as empresas essa não é a melhor opção. Segundo o advogado Marcelo Ignácio, especialista em direito trabalhista, a legislação protege o funcionário em casos de acidentes também durante o trajeto para o trabalho independentemente do meio de transporte utilizado. Para ele, o fretamento é uma alternativa viável, já que oferece maior segurança aos colaboradores.

Em caso de acidentes, os prejuízos para os empregadores são inúmeros e pioram quando ocorrem com motocicletas, por serem sempre mais graves. “Esse tipo de acidente sempre resulta em um tempo de afastamento superior a 15 dias, o que força a empresa a ter que preencher a vaga do funcionário afastado, gerando duplicidade de recolhimentos previdenciários e fundiários, à medida que a empresa é obrigada, por lei, em casos de acidentes do trabalho, a recolher o fundo de garantia por tempo de serviço”, destaca o advogado.

Em caso de falecimento, a empresa também fica responsável por arcar com os encargos funerários. “Muito provavelmente, em caso de morte, a empresa responderá por ações indenizatórias que podem culminar em eventuais pensões vitalícias devidas pelo empregador à família do empregado falecido”, completa Ignácio.

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O transporte profissional de pessoas foi aprovado por 97% dos seus usuário.
 

Uma opção mais viável e barata

O transporte profissional de pessoas por fretamento é uma das opções mais seguras e, consideravelmente, mais vantajosas para as empresas. Oferecendo esse benefício, a equipe fica mais tranquila e motivada para o desenvolvimento do trabalho. Muitas corporações investem nesse benefício como parte das ações estratégicas da empresa, que ao proporcionar momentos de descanso e despreocupação para os funcionários conquistam mais dedicação ao trabalho e rendimento.

Em pesquisa realizada pela FRESP, o transporte profissional de pessoas foi aprovado por 97% dos seus usuários. Além disso, reduz o trânsito e a emissão de gases poluentes na atmosfera e tem um custo bem acessível por colaborador à empresa contratante.

Outro fator de grande importância é a segurança no transporte garantida por profissionais treinados pelas empresas regulamentadas para o transporte de colaboradores por fretamento.


Jornalista responsável: Clarice Pereira (MTb 15778) - Obs: Já adotamos o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa.



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