Durante
os três dias do Encontro, que foi
promovido pela FRESP - Federação
das Empresas de Transportes de Passageiros
por Fretamento do Estado de São
Paulo, mais de 400 empresários
de 10 Estados brasileiros puderam discutir
o futuro do transporte profissional de
pessoas e definir as estratégias
do setor para os próximos anos.
Um dos temas recorrente nas discussões
sobre o turismo rodoviário foi
a Copa de 2014. Mobilidade urbana foi
outro assunto que dominou os debates a
respeito das políticas públicas
para o transporte coletivo.
Palestras
motivacionais também estiveram
entre os destaques do 11º
Encontro das Empresas de Fretamento e
Turismo. O evento ainda reuniu
17 fornecedores em sua feira de negócios,
os quais apresentaram produtos e serviços
destinados à inovação
tecnológica das frotas utilizadas
no fretamento. Foram expostos desde carrocerias,
ônibus rodoviários, chassis,
pneus, autopeças e equipamentos,
até opções de combustíveis
limpos, assistência técnica,
tapeçarias, entre outros. Estima-se
que os negócios fechados no Encontro
de 2010 somaram R$ 6 milhões, 20%
a mais do que na edição
de 2009.
Em
seu discurso de abertura, Claudinei
Brogliato, presidente da FRESP,
salientou: “Nossa expectativa é
dar uma nova visibilidade ao transporte
profissional de pessoas, por isso, ainda
temos muito a fazer. Esperamos contar
com todos nesse desafio, porque unidos
somos muito mais fortes!”
Mobilidade Urbana
Para o presidente do Fórum Paulista
de Secretários de Transportes,
Rogério Crantschaninov, o serviço
por fretamento é um ganho em qualidade
de vida para o passageiro, ao contrário
do transporte convencional, que segundo
o secretário, tem baixa qualidade
e alto valor de tarifa. Sobre mobilidade
urbana, Crantschaninov acredita que o
modelo atual prioriza o transporte individual,
que causa desperdício de tempo
e energia, gera impactos ambientais e
agrava os problemas de saúde pública
devido à poluição.
“Os acidentes de trânsito
no Brasil provocam 35 mil mortes por ano,
geram R$ 28 bi em custos em tratamentos
de saúde, aposentadorias e internações.
O que queremos é um maior estímulo
ao transporte coletivo, com veículos
mais modernos e tecnologias limpas. Temos
que aumentar as restrições
ao uso dos modos individuais. Para isso
precisamos integrar os vários modais,
criar tarifas mais atrativas, proporcionar
a desoneração fiscal e tributária
da operação, ter um programa
de redução nas emissões
de gases poluentes e de aumento da eficiência
energética, aumentar a fiscalização
e a penalização dos condutores
infratores. E o fretamento pode contribuir
para a redução dos automóveis
nas vias em horários de pico, já
que seu usuário deixa o carro na
garagem para ir ao trabalho”, considerou
o secretário.
Segundo ele, além
de propiciar ganhos na qualidade de vida,
o fretamento também colabora com
a produtividade das empresas, evita atrasos,
absenteísmo ao trabalho e diminui
o estresse no trânsito. “O fretamento
pode complementar o transporte público”,
salientou. Por outro lado, Rogério
informou que a modalidade não está
inserida nas políticas públicas
de transporte de pessoas. “Os parlamentares
não enxergam o fretamento como
parte da solução para a
mobilidade. Precisa haver uma mudança
de discurso”, recomendou.
Já para Cláudio
de Senna Frederico, do Observatório
de Mobilidade da ANTP - Associação
Nacional de Transportes Públicos,
cada pessoa realiza uma média de
1,58 viagens por dia, porém, 50%
desses transeuntes usam o carro para se
locomover a pequenas distâncias,
como ir até a padaria, por exemplo.
Por que isso acontece? Frederico avalia
que é uma questão de status.
“O carro veste bem. As pessoas preferem
usar o carro. Seus valores são
influenciados pela renda”, informou.
Cláudio de Senna
avalia que a motorização
é inevitável. “A motorização
continuará em marcha, isso não
irá mudar”, revelou. “Mais pessoas,
se puderem, comprarão seus automóveis.
Comprar não é o problema,
o uso do veículo é a questão”,
comparou.
“Não podemos esquecer
que a classe C está em ascendência.
Como esses emergentes se sentem segregados
pela sociedade elitista, o carro é
importante para eles. O carro não
apenas transporta, ele é uma vestimenta
que identifica o usuário”, complementou
o especialista.
De acordo com suas conclusões,
as ruas e estradas foram feitas para os
automóveis e, segundo conceitos
retrógrados, a fluidez deve ser
assegurada a qualquer custo e os veículos
grandes são um entrave. Pesquisa
realizada pela ANTP sobre o transporte
público revela que a maior parte
das pessoas o veem como perigoso ou desconfortável.
Outros acreditam que deve melhorar, mas
não pretendem utilizá-lo.
A maioria quer que ele seja barato e autossustentável.
Na rua, não deve atrapalhar a fluidez
do trânsito. Também acreditam
que os ônibus são os maiores
poluidores e que a cidade fica melhor
sem eles. Mas para o técnico da
ANTP, o transporte coletivo é fundamental
para a mobilidade.
Diante dessas respostas,
Senna avaliou que será difícil
conseguir apoio político para as
propostas de melhoria ao transporte coletivo,
seja ele público ou privado. “Político
não tem vontade, tem interpretação
da vontade pública”, analisou.
“É mais fácil restringir
ônibus do que carro. Para a maioria,
os ônibus e caminhões são
intrusos, então que se restrinja
a circulação dos maiores,
para se deixar o espaço viário
mais livre para o transporte individual”,
considerou.
O
especialista enxerga o ônibus por
fretamento como o mais parecido com o
automóvel, pois é confortável,
tem flexibilidade de trajetos e o número
de pessoas juntas é menor. “O veículo
de fretamento é um carro grande
com motorista”, brincou. Para Cláudio,
é um modal que precisa ser integrado
a cidade. Na esfera do transporte coletivo,
se considerado o número de passageiros,
o ônibus ocupa menos espaço
que um automóvel. “Também
polui menos, custa menos e mata menos”,
concluiu. “O ônibus só vai
fazer sucesso, quando for visto como uma
solução boa, útil
e favorável.”
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Bourbon
Atibaia Spa Resort sediou 11°
Encontro Empresas de Fretamento
e Turismo. |
Turismo
Entre
os assuntos mais aguardados, os projetos
para o desenvolvimento rodoviário,
anunciados pela presidente da Empresa
Paulista de Turismo e Eventos – TUR.SP,
foram recebidos com expectativa por todos
os presentes ao 11º Encontro. Não
poderia ser diferente, já que o
turismo representa 10% do PIB mundial
e 6,2% do PIB brasileiro.
Luciane
Leite prometeu interceder junto às
autoridades para tentar reverter as restrições
de paradas de ônibus nos pontos
atrativos de São Paulo, um dos
principais entraves do transporte profissional
de pessoas. “Um em cada 17 empregos no
Brasil são gerados pela cadeia
do entretenimento. São Paulo responde
por 43% do volume de negócios com
turismo em nosso País. São
R$ 56,5 bi anuais em receitas. Nossos
governantes têm que entender a importância
da indústria do turismo, que movimenta
os diversos setores de nossa economia”,
refletiu. “Podem contar com a TUR.SP nesse
pleito junto às autoridades. Vamos
trabalhar no apoio à adequação
da legislação do transporte
turístico junto às prefeituras,
Ministério do Turismo, ANTT e ARTESP”.
Segundo
a representante do governo do Estado de
São Paulo, é preciso ter
metas para alavancar o turismo no Estado.
“Para tomar atitudes, precisamos de planejamento”,
ditou. “Setenta e oito e meio por cento
(78,5%) do turismo receptivo paulista
é intraestadual, então precisamos
investir em turismo rodoviário”,
completou.
Para
ela, a Copa de 2014 é uma das grandes
ocasiões para viagens de curta
distância. “Temos compromisso firmado
com a FIFA por meio do COESP, comitê
gestor da Copa e estamos trabalhando com
a Secretaria Estadual do Planejamento
e com a Prefeitura de São Paulo
para preparar a infraestrutura da cidade.”
Luciane
explicou que as oportunidades de geração
de emprego e renda não se restringem
somente à Capital. De acordo com
ela, 50 cidades paulistas já estão
qualificadas para os roteiros turísticos.
“Temos que nos preparar para receber as
seleções para os treinos
e jogos amistosos nas cidades-sedes. Temos
que reservar produtos especiais para o
turista que vem assistir o campeonato,
pois sabemos que ele viajará para
fora da cidade depois dos jogos. Vamos
organizar eventos de exibição
pública, chamados de Fan Fest FIFA,
em que a população poderá
assistir às partidas no telão,
por isso precisamos investir em mobilidade
urbana e transporte coletivo adequado”.
A
presidente da TUR.SP garante que espera
envolver a iniciativa privada e a sociedade
civil nos projetos destinados à
Copa do Mundo a serem realizados em São
Paulo.
Palestras motivacionais
Para
ajudar nesse projeto de crescimento do
setor, o professor Carlos Alberto Júlio,
primeiro palestrante do 11º Encontro,
lembrou ao empresariado que o Brasil é
a maior nação mestiça
do mundo e essa característica
multirracial a torna mais criativa. “Nosso
povo é capaz de tornar este País
num dos mais bem-sucedidos do século
XXI. Basta olhar para trás e se
inspirar na vontade dos imigrantes que
saíram de suas pátrias,
trabalharam duro e ajudaram a transformar
nosso território na terra da abundância”.
De
acordo com o consultor, os próximos
dez anos serão a década
da prosperidade para o Brasil. Para ele,
deve vir uma onda favorável em
todos os setores da economia. “Teremos
que inovar para crescer, capacitar nossa
mão de obra e focar nossas energias
em nossos negócios”, assegurou.
Para Júlio, a inovação
pode estar na estratégia, no RH,
no marketing, na logística e não
só no produto. “O cliente atual
quer três coisas simultâneas:
qualidade, rapidez e preço”, sentenciou.
E aconselhou: “Defina metas, descubra
suas vantagens competitivas, pense e aja
diferente, se quer resultados diferentes”.
Já
Cláudio Diogo, outro palestrante
motivacional, mostrou a visão do
consumidor em relação ao
bem adquirido. “O comprador quer aquilo
que o produto pode proporcionar a ele.
Observe o mercado com uma visão
mais aberta e perceba qual o serviço
que o consumidor quer agregado à
sua compra. Entenda o processo mental
do cliente.”
Por
fim, Christian Barbosa, autodenominado
“nerd”, falou sobre a falta de tempo e
o desgaste que as pessoas vivem hoje.
“O Brasil já é considerado
o segundo país mais estressado
do mundo. Só perde para o Japão”,
informou. Ainda lançou um desafio
à platéia: “Você é
de fato um empreendedor ou é um
escravo do trabalho?”, provocou.
Para
ele, nós associamos estresse ao
trabalho e precisamos mudar esse conceito
e viver motivados pelos resultados. “Essa
é a diferença entre viver
trabalhando e viver aproveitando”, garantiu.
Segundo Barbosa, empreender com metas
é focar naquilo que é realmente
importante. “É preciso sair do
ciclo da sobrevivência, focalizar
no que nos leva ao ciclo da prosperidade
e nos tira do ciclo da frustração”,
recomendou.
Segundo
o especialista em gestão do tempo,
precisamos aprender a separar nossas atividades
em categorias - importantes, urgentes
e circunstanciais. “Devemos valorizar
a importância e não a urgência”,declarou.
Uma das dicas é fazer as tarefas
em ordem sequencial. “Deixe de ser multitarefa,
pare de fazer zilhões de coisas
ao mesmo tempo. Você tem a impressão
de otimizar os resultados, mas na verdade
está desperdiçando seus
minutos. Você faz as coisas mais
rapidamente, quando executa uma atividade
de cada vez.” Para Christina o melhor
é descarregar todas as informações
contidas no cérebro em uma ferramenta
de trabalho. “Pode ser um caderno, uma
agenda, um software, mas é preciso
anotar para se organizar”, repetiu.
Barbosa transmitiu uma metodologia, que
para ele foi determinante, para mudar
seu próprio ritmo de trabalho.
O método consiste em cinco etapas:
Identificação (definir prioridades);
Metas (saber para onde vai); Planejamento
(elaborar estratégias); Organização
(localizar as coisas rapidamente) e Execução.
Ele ainda recomendou que se faça
reuniões somente em casos imprescindíveis.
“Reuniões são uma espécie
de ralo de dinheiro. Economize em reuniões
e você poupará os recursos
financeiros de sua empresa”, avaliou.