Criadas
pelos governos federais ou estaduais, as agências
reguladoras têm por finalidade regular e fiscalizar
os serviços ou as atividades prestadas a diversos
setores, como de saúde, de transporte, de energia
elétrica, dentre outros. No entanto, a falta de concursos
públicos para contratação de mão-de-obra
nesses órgãos não permite que cumpram
eficientemente com sua missão.
De acordo com Silvio Tamelini,
presidente da FRESP - Federação das Empresas
de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado
de São Paulo, há tempos as solicitações
por mais fiscalização não vêm
sendo atendidas pela ARTESP - Agência Reguladora
de Serviços Públicos Delegados de Transporte
do Estado de São Paulo.
As empresas regularizadas para o transporte de pessoas
queixam-se sobre a falta de profissionais da ARTESP para
fiscalizar e inibir a ação dos que agem
na irregularidade ou clandestinamente no transporte de
passageiros e que transitam pelas rodovias estaduais.
“A explicação é sempre a mesma”,
revela Tamelini, “falta de fiscais e a inexistência
de um quadro maior no departamento jurídico da
entidade para recorrer às várias liminares
que chegam e ainda avaliar a veracidade das mesmas entre
outras ações”, argumenta.
No site da ARTESP é
possível encontrar as portarias sobre credenciamento
e descredenciamento de servidores que compõem o
quadro de Fiscais de Transporte Coletivo: Na última
portaria, datada de 07/02/2006, consta a atuação
de apenas 47 profissionais. Há rumores, porém,
que nos dias atuais o quadro de fiscais se resume a 28
funcionários e que nesse quadro estão inclusos
também os fiscais dos terminais rodoviários.
Para o presidente da FRESP,
esse número é muito pequeno considerando
o número de rodovias a serem fiscalizadas. ”A
ARTESP regulamenta e fiscaliza todo o transporte intermunicipal
coletivo de passageiros que abrange o Estado de São
Paulo, exceto as regiões metropolitanas de São
Paulo, Campinas e Baixada Santista, cuja fiscalização
cabe à EMTU. Mesmo assim a área de cobertura
é muito extensa comparada ao número de fiscais
destacados para a operação”, avalia.
Segundo ele, a ARTESP necessita
obter urgente, por parte do governo, autonomia plena para
poder admitir ou concursar profissionais, equacionar suas
reais necessidades e agir de forma a justificar o motivo
de sua criação, uma vez que os funcionários
são todos (exceto a diretoria) “emprestados
de outras autarquias”, exercendo suas tarefas no
limite da capacidade e, em função desses
problemas, deixam uma lacuna na atuação
fiscalizadora.
Sendo responsável
pelo Sistema de Transporte Coletivo Intermunicipal de
645 municípios, cada um dos 28 fiscais da ARTESP
seria responsável por 23 municípios em média.
“Como um único fiscal poderá atuar
em tantos municípios ao mesmo tempo e inibir a
operação de empresas clandestinas? Isto
é impossível de satisfazer o cumprimento
de sua proposta, assim sendo, concluímos que não
temos fiscalização.”
O trabalho de fiscalização
deve ser contínuo, todos os dias da semana, inclusive
à noite e nos finais de semana. “Não
adianta fiscalizar de segunda a sexta-feira em horário
comercial alguns poucos lugares e deixar os clandestinos
e empresas travestidas de locadoras, que atuam no transporte
turístico, livres para operar aos sábados
e domingos.”
Todos nós sabemos
da existência de empresas irregulares, dos acidentes
que ocasionam e dos gastos aos cofres públicos
com o atendimento e socorro às vítimas.
“Já os motoristas e essas empresas, em muitos
casos, ficam impunes por falta de uma medida eficaz”.
A ARTESP é uma agência
reguladora “dotada de autonomia orçamentária,
financeira, técnica, funcional, administrativa
e poder de polícia, com a finalidade de
regulamentar e fiscalizar todas as modalidades de serviços
públicos de transporte autorizados, permitidos
ou concedidos a entidades de direito privado,
no âmbito da Secretaria de Estado dos Transportes,
pelo decreto 46.708 de 22 de abril de 2002”. Para
a FRESP, se ela não reúne condições
de fiscalizar acaba por negar todos os argumentos que
justificaram e levaram a sua criação. A
continuar esta situação, questiona-se sua
função pública, já que não
é possível fazer apenas uma parte do trabalho.
A solução
é a realização de concurso público
para aumentar o número de fiscais na agência.
A ARTESP precisa contratar mais pessoas
para o trabalho, pois não há como fazê-lo
sem mão-de-obra, defende Tamelini.
Serviço:
No site da FRESP (www.fresp.org.br)
ou pelo telefone: 0800-773-2060, o cidadão
pode obter informações
sobre as empresas regularizadas no Estado de São
Paulo.