A restrição
municipal, que começa a vigorar nesta segunda-feira,
dia 9, afetará cerca de 400 veículos de transporte
de passageiros por fretamento, os quais transportam aproximadamente
17.600 trabalhadores ao pólo econômico instalado
na cidade de Barueri, principalmente em Alphaville, Tamboré
e imediações.
Os ônibus fretados
saem da Capital e de municípios vizinhos e atendem
os bairros distantes onde ficam as empresas da região.
O argumento é que a maioria desses veículos
estaciona nas ruas até o fim do dia, quando volta
para seus pontos de origem. “Como não existem
bolsões de estacionamento na cidade, alguns veículos
são obrigados a parar nas ruas. O serviço
encareceria muito se tivessem que gastar combustível
em dobro para retornar e aguardar nas garagens, até
saída dos trabalhadores”, esclarece Regina
Rocha, diretora-executiva da FRESP - Federação
das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento
do Estado de São Paulo.
Segundo Regina Rocha, a
proibição imediata dificultará às
empresas encontrar uma alternativa viável para
a solução do problema se não houver
um prazo pré-estabelecido para a nova política
de estacionamento. "Como será possível
arrumar estacionamento para tantos ônibus de uma
hora para outra?" Ela teme, inclusive, que o preço
do estacionamento particular ou uma área que comporte
veículos de grande porte, deva ser repassado aos
contratantes do serviço.
Muitos veículos vêm
de outros municípios, como Sorocaba, Campinas,
Itu, Itatiba, dentre outros, o que impossibilita o regresso
à sua origem antes do final da jornada de trabalho.
Segundo Regina Rocha, “fazer com que esses veículos
tenham que estacionar em cidades vizinhas é apenas
a transferência do problema, o que não nos
parece justo com as outras municipalidades, já
que Barueri promove incentivos fiscais para a instalação
de empresas em sua região”, reflete.
Por outro lado, a diretora
lembra que cada ônibus de fretamento tira 19 carros
da rua e a restrição, consequentemente,
aumentará o trânsito das rodovias Castello
Branco e Rodoanel, que são as vias de acesso ao
município.
Para a FRESP a questão
ambiental e o momento de crise econômica são
impróprios para qualquer medida que possa aumentar
o custo do transporte, atividade indispensável
para a produção econômica ou mesmo
dificultar a produção.
Regina informa que, em razão
da inexistência de locais adequados ou viáveis
para estacionamento dos veículos naquela cidade,
a FRESP tentou negociar uma solução viável
para a municipalidade, empresas de fretamento e passageiros.
“Infelizmente fomos informados que não haverá
possibilidade de diálogo e que o prefeito Furlan
recusou-se a reavaliar a situação na busca
de uma melhor solução”, reclama.
A última tratativa
aconteceu na sexta (6), com o secretário de Assuntos
de Segurança coronel Edson Santos da Silva, para
uma audiência em caráter de urgência,
na qual se discutiria a questão do estacionamento
dos veículos de fretamento no município
de Barueri.
Pólo empresarial
Nona cidade mais rica do
País, Barueri tem um PIB superior a 20 capitais
estaduais e supera grandes cidades do interior paulista.
Sua pujança tomou amplitude em 1973, quando a Câmara
Municipal aprovou a Lei de Zoneamento Industrial que permitiu
o surgimento de pólos empresariais como os de Alphaville,
Tamboré, Jardim Califórnia e Distrito Industrial
do Votupóca. Alphaville, um dos centros empresariais
mais conhecidos do Brasil detém centenas de sedes
e filiais de grandes empresas.
Barueri tem 275 mil habitantes
fixos, enquanto Alphaville abriga 20% dessa população.
Mas por lá passa todos os dias um fluxo flutuante
de 170 mil pessoas, formado por trabalhadores e visitantes
a passeio ou a negócios.
A economia da cidade de
Barueri está baseada na arrecadação
de impostos, em especial o ISS, proveniente da prestação
de serviços. O município possui a menor
alíquota de ISS da região metropolitana
de São Paulo, que varia entre 2% e 3%, enquanto
os municípios vizinhos cobram de 5% a 6%.
Os incentivos fornecidos
pela municipalidade foram preponderantes para instalação
desse grande pólo empresarial que necessita de
mão-de-obra qualificada. Na maioria das vezes esses
recursos humanos vêm de fora e, sem o serviço
de fretamento, seria impossível atraí-la
e mantê-la. Portanto, o serviço de fretamento
é indispensável para a atividade econômica
de Barueri.
Barueri localiza-se na zona
Oeste da Grande São Paulo, a 26,5 quilômetros
da praça da Sé. A cidade é circunvizinha
de Santana de Parnaíba, Osasco, Carapicuíba,
Jandira e Itapevi. Suas principais vias de acesso são
a rodovia Castello Branco, o rodoanel Mário Covas
- trecho Oeste, que interliga as rodovias Régis
Bittencourt, Raposo Tavares, Castello Branco, Anhanguera
e Bandeirantes.