Segundo
o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros e
Turismo de São Paulo (Transfretur) a proibição
anunciada, em 11 de fevereiro, pelo Secretário Municipal
de Transporte, Alexandre Moraes, nas avenidas Paulista,
Brigadeiro Faria Lima e Juscelino Kubitschek, que deve entrar
em vigor no mês de abril, caso adotada, aumentará
a circulação de veículos particulares
nessas regiões e prejudicará ainda mais o
trânsito na cidade.
“O que deve ser entendido
pelas entidades responsáveis pela organização
do trânsito e do transporte é que a modalidade
de fretamento é um aliado para inibir os congestionamentos
nos centros urbanos”, diz Jorge Miguel dos Santos,
diretor-executivo da entidade. De acordo com ele, o serviço
ajuda a minimizar os problemas já existentes no
transporte público, já que transporta 600
mil pessoas por dia. “Essa proposta de restrição
para os fretados pode retirar passageiros do fretamento
e eles voltarão a utilizar os seus carros, o que
evidencia a opção do poder público
pelo transporte individual. Organizar o serviço
de fretamento e até incentivá-lo seria mais
plausível”, avalia.
Para o sindicato, desde
2002, os ônibus por fretamento já seguem
regras diferenciadas para circulação em
determinadas vias na cidade de São Paulo. Há
proibição de transitar nas avenidas Nove
de Julho, João Dias e na avenida Paulista, a circulação
tem horários restritos. “O setor se organizou
para seguir as normas impostas nessas vias, no entanto,
‘restringir o mínimo necessário’,
como aponta a Secretaria e outros órgãos,
tornaria a operação inadequada”, comenta.
Já existem problemas
enfrentados pela categoria quanto à criação
de paradas de ônibus para embarque e desembarque
dos passageiros. “As paradas devem ser organizadas
e estabelecidas pelo poder público. Buscamos saídas
há vários anos, no entanto, até hoje
não foram apresentadas soluções.
Não adianta prejudicar a população
que faz uso do fretamento.”
O Transfretur em conjunto
com o Departamento de Transporte Público (DTP),
com a Companhia de Engenharia de Tráfego(CET) e
a São Paulo Transporte (SPTrans) se reuniram em
2008 para discutir o serviço de fretamento abordando
todos os aspectos seus benefícios e os problemas.
Uma das determinações foi realizar uma pesquisa
para obter um retrato do serviço que serviria de
base para tomar medidas mais adequadas. A coleta de informações
foi encerrada no dia 31 de janeiro de 2009, alega o diretor
da entidade.
Uma pesquisa realizada em
2008 pelo Instituto LPM, encomendada pelo Transfretur,
apontou que um único ônibus por fretamento
retira 19 carros na rua. Santos acredita que restringir
a operação dos estimados 600 ônibus
que transitam nessas vias é colocar, em média,
mais 11.400 carros em circulação nos mesmos
pontos e em horários de pico. “A proporção
é simples, pois o usuário do fretamento
é o que deixou o carro em casa, e isso já
foi comprovado num levantamento realizado pelo Sindicato”,
complementa.
O serviço de transporte
por fretamento nasceu na década de 50, no Grande
ABC, período da industrialização,
para realizar o transporte dos empregados das indústrias
que se instalavam na região. Hoje cerca de 30%
das empresas com mais de 100 funcionários já
utilizam a modalidade. “O fretamento regularizado
é essencial para assegurar a existência dos
diferentes escalas de trabalho nas empresas. É
ele que permite que os períodos noturnos sejam
cumpridos nas empresas. Como serão transportados
esses funcionários, se o transporte público
não atende nesses horários?”, indaga
o diretor.
Segundo o Transfretur, os
ônibus fretados em circulação em São
Paulo trazem moradores das cidades vizinhas e de bairros
mais distantes do centro, de regiões nas quais
o transporte público é mais deficiente e
demorado. “Sabemos que a origem de muitos desses
ônibus, que circulam nos locais onde querem impor
mais restrições, são do extremo Leste
da cidade e também de Sorocaba, Campinas, Santos,
São José dos Campos, Itatiba, Jundiaí
e Vinhedo, dentre outras. Milhares de trabalhadores serão
prejudicados”, finaliza.