A São Paulo Turismo (SPTuris) recentemente divulgou o seu melhor resultado financeiro dos últimos 15 anos. Parte desse resultado deve-se a realização de um número maior de eventos, cerca de 20% a mais do que no ano de 2007.
Regina Rocha, advogada e diretora-executiva da FRESP - Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo, acredita que para o segmento de transporte, esse é o ponto que mais chama atenção, pois o esforço da SPTuris em atrair mais eventos para a cidade de São Paulo é sempre benvindo, no entanto, essa ação deve estar orquestrada com outras Secretarias municipais para garantir o bom resultado do trabalho.
Para Regina, o transporte é um item de vital importância para a realização de um evento de sucesso. “Sob este aspecto nada adianta um ótimo hotel ou um excelente centro de convenções, se o turista não tiver meios adequados, rápidos, seguros e econômicos de locomoção. São mais de 80 mil eventos realizados anualmente em São Paulo, o que gera incontáveis deslocamentos de pessoas dentro do município ou mesmo na grande São Paulo. Em sua grande maioria esses transfers são atendidos pelas empresas de fretamento que possuem frota e know-how para esse tipo de transporte especializado”, complementa.
É notória a inexistência de pontos de paradas para o embarque e o desembarque de passageiros nos locais de visitação turísticas, espaço de eventos e espetáculos e hotéis. “E ainda assim os órgãos responsáveis pelo transporte e trânsito ainda estudam medidas restritivas de circulação para o serviço de fretamento, o que dificultará mais a operação do transporte turístico no município”, reflete Regina, que também é formada em Turismo.
Segundo Regina, ainda que seja dito pelos órgãos gestores do trânsito e do transporte que essas restrições, em tese, não se aplicariam ao turismo, na prática não será possível diferenciar esse serviço dos demais deslocamentos dos ônibus de fretamento, também indispensáveis para a população. “Todas as alterações afetarão diretamente o transporte de eventos, tornando-os mais morosos e consequentemente caros. Podemos até pensar que, num futuro próximo, afugentará os eventos de São Paulo, ainda que a cidade seja repleta de atributos para atraí-los”.
O momento ainda é adequado para a SPTuris e também a Secretaria de Transporte dedicar uma atenção especial para a infraestrutura do transporte. Toda e qualquer ação no final deve garantir a acessibilidade ao destino turístico, segurança e o conforto das milhares de pessoas que participam dos eventos, que usam o transporte turístico e geram receita ao comércio e diversos outros setores que vivem do ramo. Sem essa preocupação, todos os esforços podem ser minados pelo descontentamento do público visitante e consequentemente dos organizadores.
Para Regina, colocar a culpa só no trânsito caótico da cidade de São Paulo não resolverá a questão, o melhor seria planejar ou readequar a cidade para o deslocamento e estacionamento dos ônibus que trazem turistas. “Essa é a condição essencial para que o segmento de transporte possa executar sua tarefa com excelência, garantindo assim a satisfação de seus clientes e o retorno dos esforços da SPTuris em atrair eventos”, comenta.