Em reunião nesta quarta (15), o secretario municipal dos Transportes, Alexandre Moraes, anunciou que fará mudanças quanto à criação da ZMRF - Zona Máxima de Restrição aos Fretados, que restringe a circulação dos fretados em 70 km2 do centro expandido da Capital.
Dentre as mudanças anunciadas pelo secretário está o credenciamento junto à SMT - Secretaria Municipal de Transporte - para obter livre circulação na ZMRF e ainda a criação de garagens especiais para o desembarque dos passageiros.
Jorge Miguel dos Santos, diretor executivo do Transfretur - Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros e Turismo de São Paulo, acredita que ainda são necessárias mais alternativas ao que foi proposto. “Mesmo com o credenciamento, os usuários terão que embarcar nas estações do Metrô e dos trens da CPTM e desembarcar em garagens. No entanto, não existem espaços destinados para esse fim nas empresas contratantes. Sob quais condições as companhias terão que se adequar para receber seus colaboradores?”, questiona.
Segundo levantamento realizado pelo Transfretur, 137 empresas, entre públicas e privadas, contratam, na modalidade contínua, 424 ônibus, os quais atravessam a área de restrição. Dentre elas é possível citar a AACD, Fundação para o Remédio Popular, Hospitais das Clínicas, São Paulo e do Coração, Aeroporto de Cumbica, Tribunal de Justiça e Palácio dos Bandeirantes e outras. Já no setor privado, estão bancos, laboratórios de remédios, montadoras de veículos, hospitais, shoppings e faculdades. “Se considerarmos que cada ônibus por fretamento transporta, em média, 40 pessoas, serão quase 20 mil passageiros que terão que alterar seus trajetos”, revela Santos. Ele ainda afirma que há ainda algumas empresas instaladas dentro da área restrita.
Um outro ponto alarmante, segundo Santos, é o descumprimento dos contratos celebrados entre as transportadoras e as empresas contratantes. “Na assinatura dos contratos estão previstos os tempos de prestação de serviço que podem variar de 1 até 5 anos. Período em que as empresas se comprometem em transportar passageiros. Agora teremos que considerar as alterações das regras de trânsito”, desabafa Jorge Miguel, que também é especialista em economia e transporte.
Jorge prevê uma possível falência do setor, que já atua há 55 anos e que emprega 11 mil pessoas na região metropolitana de São Paulo. “Os investimentos em novos ônibus, equipamentos e qualificação profissional para atender os contratantes serão descartados, pois com a mudança das regras de trânsito e o não atendimento aos contratos assinados e definidos nas bases – retirar os colaboradores nas imediações de sua casa e deixá-los nas portas das empresas, as transportadoras correm o risco de pagar por indenizações pelo não atendimento das cláusulas acordadas”.
Santos crê que a restrição dos ônibus por fretamento, em qualquer situação, é um forte impulso para o retorno das pessoas aos seus carros. “Não acredito que o usuário do setor do transporte por fretamento realizará diversas baldeações para chegar ao destino. Certamente, ele voltará para dentro do carro e, dessa maneira, teremos mais congestionamentos e poluição nas ruas”.