Empresários do setor de fretamento não concordam com a área de restrição de 70 quilômetros quadrados para a circulação de seus ônibus, a partir de segunda (27). No entendimento de Jorge Miguel dos Santos, diretor-executivo do Transfretur, sindicato que representa a categoria, a restrição deveria se ater apenas nas avenidas de maior movimento como Paulista, Berrini e Faria Lima.
Mesmo com as autorizações especiais, propostas pela Prefeitura, o sindicato afirma que a ZMRF afetará 156 empresas que contratam os serviços na área estabelecida para a restrição. “Nenhuma contratante instalada na ZMRF tem local adequado para o embarque e desembarque de passageiros dentro de suas instalações”, revela o diretor do Transfretur. “Cada ônibus pesa em torno de 10 a 12 toneladas, não é qualquer piso que pode receber este impacto.”
Para a advogada Regina Rocha, diretora executiva da FRESP – Federação das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo, a regra de exceção não está clara. “È preciso saber exatamente quais os requisitos necessários para receber autorização. Até o momento, o site da Prefeitura ainda não está recebendo protocolos para as autorizações”, acrescenta.
O setor de fretamento contínuo quer a prorrogação da data da implantação da medida. “Não há tempo hábil para implantar a autorização especial e para adequar os contratos já firmados”, garante Silvio Tamelini, presidente da FRESP e do Transfretur. Segundo ele, a Prefeitura ainda não abriu diálogo técnico com a categoria. ”Se não houver conversação para a implantação de regras claras, o fretamento tradicional, em prática há mais de 50 anos, será drasticamente afetado”.
Por outro lado, a Comissão de Fretamento só será implantada dentro de 15 dias. “Se é essa Comissão que estudará cada caso de exceção, como a restrição pode ter início na segunda, dia 27? Quem avaliará os pedidos de autorização especial neste período?”, questiona Jorge Miguel.
Assim que a Prefeitura liberar as solicitações de autorização especial, já é consenso que toda a categoria, que opera o fretamento contínuo empresarial, entrará com pedidos a serem examinados. Os diretores admitem, no entanto que o serviço deve seguir normalmente na segunda-feira, mesmo correndo o risco de multa. “O fretamento tradicional pedirá autorização para entrar na Zona de Restrição”, revelam os diretores.
O verdadeiro vilão
Convidado pela diretoria do Transfretur, Horácio Figueira, engenheiro de tráfego e estudioso do trânsito, apresentou uma pesquisa que comprova que o verdadeiro vilão da fluidez em São Paulo é o automóvel. “Quatro carros ocupam mais espaço que um ônibus e transportam muito menos passageiros: em média 1,3 por veículo.”
Segundo ele, durante as quinze horas do estudo, trafegaram pelas avenidas Paulista, Berrini e Faria Lima, exatamente 37.376 veículos, os quais transportaram 94.769 pessoas. Com poucas variações, 64% desses eram automóveis, 20% eram motos, 12 % táxis e apenas 2% eram ônibus de fretamento. “O automóvel é o grande vilão do trafego de São Paulo”, comprova o especialista. “A cada mês, a cidade ganha 12.500 novos carros, o que representa mais tempo no trânsito, mais custos e menos conforto” .
De acordo com Figueira, a Prefeitura está com uma política equivocada sobre o transporte coletivo. “É uma utopia esses 11% de fluidez, prometidos pelo secretário do Transportes. A Prefeitura tem que pensar o transporte coletivo para todas as classes. O usuário do fretamento não vai usar o transporte público, saturado como já está”, sentencia.
TRANSFRETUR (www.transfretur.org.br)
Fundado há 15 anos, o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento para Turismo da região metropolitana de São Paulo (Transfretur) iniciou suas atividades congregando 49 empresas; atualmente são 100 empresas associadas.
O objetivo é divulgar a importância do segmento e concomitantemente formar os empresários associados no sentido da profissionalização e da busca da qualidade cada vez maior na prestação de serviço, compreendendo a importância e implementando cursos que atinjam também os funcionários, credenciando as empresas à disputa de um mercado mais competitivo e exigente em relação ao padrão dos ônibus e também à condução destes pelos motoristas.
Por meio da inserção em várias instâncias de debate sobre o transporte coletivo entidades públicas têm tomado conhecimento da realidade do segmento e percebido o ônibus fretado como alternativa viável ao transtorno gerado pela, cotidianamente, maior utilização do veículo particular e dos inúmeros congestionamentos – praticamente - incorporados à vida dos paulistas e paulistanos.
Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo
Entidade sindical de grau superior, a FRESP foi criada em 1994, com o objetivo de agrupar, representar, coordenar, proteger e estimular o aprimoramento das atividades de transporte de passageiros por fretamento.
A FRESP congrega 7 sindicatos regionais, que por sua vez têm 380 empresas associadas. São eles: SETFRET - Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento de Sorocaba e Região; SINFRECAR - Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento de Campinas e Região; SINFREPASS - Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento de Ribeirão Preto; SINFRESAN - Sindicato das Empresas de Passageiros por Fretamento de Santos; SINFRET - Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado de São Paulo; SINFREVALE - Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento da Região do Vale do Paraíba e TRANSFRETUR - Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros e Turismo de São Paulo.
No Estado de São Paulo existem 10 mil veículos de fretamento e no Brasil 4.900 empresas de fretamento são cadastradas junto à ANTT para viagens interestaduais e internacionais. O setor movimenta cerca de R$ 3,2 bilhões anuais.